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Purim

A festa de Purim, que recorda a milagrosa salvação dos judeus da Pérsia, é celebrada no décimo quarto dia de Adar - neste ano, em 14 de março de 2006. É o dia mais alegre do calendário judaico. Aquele, segundo nossos sábios, em que devemos alegrar-nos mais do que em qualquer outra de nossas festividades.

PurimO QUE É PURIM?
O livro de Ester (Meguilat Ester), a base da festa de Purim, conta uma das mais queridas histórias bíblicas. Haman, o vilão da história, desenvolve um plano para aniquilar os Judeus da Pérsia - e este é aprovado pelo Rei Achashverosh. Através de uma complexa seqüência de eventos, a Rainha Ester, judia, e seu pai adotivo, Mordechai, conseguem interceder diretamente com o rei, estragando o plano diabólico de Haman, e destruindo-o, junto com sua família e outros inimigos do Povo Judeu. É então proclamado o feriado de Purim.

Mas... Purim - a Festa dos Sorteios - parece repleta de contradições. Numa hora, os Judeus estão sem ajuda e desesperados de medo; em outra, estão lutando contra seus inimigos e vencendo-os. Milagres acontecem, e o nome de D'us nem é citado. EM Purim, os Judeus reafirmam sua lealdade ao Judaísmo, e alcançam novos níveis espirituais. Mas então vem as máscaras, paródias, banquetes e bebidas. Purim nos ensina a ver através das contradições da vida, e perceber que elas são todas parte do plano. Muito antes de Haman escrever seu decreto de destruição, uma rainha é, deposta para dar passagem a Ester, que no fim das contas salva os Judeus. O remédio vem antes da doença. Purim significa sorteios - como na loteria. Mas a seqüência de eventos sugere qualquer coisa menos sorte.

Resumindo, Purim é a festa da unidade judaica. Assim como as contradições de Purim desembocam num tema unificado - o Povo Judeu deve ser unido, "be'lev echad" - em um só coração -, para comemorar.

O Gaon de Vilna escreveu que a Torá jamais poderia ter sido aceita por uma nação dividida - a nação teria que teria que ser "Be'lev echad, ke'guf echad" - como um só coração num só corpo. Assim como os Judeus se uniram no Monte Sinai, eles o fizeram em Purim. Com sua alegrai, "kimu vekiblu haiehudim" - "os Judeus confirmaram e aceitaram" (Meguilat Ester 9:27) manter o Judaísmo, com ainda mais entusiasmo que o Monte Sinai (Talmud Shabat 88a).

Todas as quatro observâncias de Purim nos levam à união. Primeiro, sentamos todos juntos para ouvir a leitura da Meguilá. Depois, a mitzvá de Matanot LaEvionim - presentes para os pobres - une os pobres e os ricos. Mishloach Manot - enviar guloseimas - reforçar a ligação entre nós e nossos amigos. Mas ainda não é suficiente.

Finalmente, para separar as barreiras que nos separamos, nós bebemos. A bebedeira da refeição de Purim deve nos libertar de nossas inibições, não para nos levar à selvageria, mas para nos permitir mostrar nossos mais interiores e profundos sentimentos de amor uns pelos outros. Ao bebermos (com moderação), diminuímos as fronteiras que nos separam uns dos outros, para nos sentirmos ainda mais como uma unidade.

COSTUMES
Mishloach Manot (shelakhmones) e Presentes para Pobres

O costume de enviar presentes (Mishloach Manot), deixa sua marca especial em Purim. Ao longo de Purim, homens e mulheres, jovens e crianças andam pelas ruas, carregando pratos, cestas e bandejas cheias de guloseimas de Purim escolhidas e cobertas com um guardanapo. Muitos destes "mensageiros" estão em fantasias e isto acrescenta uma beleza especial à atmosfera de Purim.

Em Jerusalém, era habitual que meninas comprometidas enviassem Mishloach Manot especial, grande e suntuoso aos seus futuros marido; bolos congelados, biscoitos e confeitaria eram formosamente organizados em bandejas redondas e gigantescas. Na Israel contemporânea, há formas de Mishloach Manot familiares, por bairro e nacionais. Elas são enviadas, por exemplo, aos soldados das FDI que servem de fronte, para os assentamentos nas fronteiras e para os necessitados. Crianças também trocam Mishloach Manot simbólicos nas escolas.

Fazendo barulho na Menção do Nome de Haman

Há uma atmosfera especial na sinagoga durante a leitura da Meguilá. Muitos dos fiéis trazem sua própria Meguilá kasher, escrita em pergaminho, de acordo com a halachá - por temer que, caso contrário, eles possam perder uma palavra ou outra da leitura; eles podem assim suprir silenciosamente a palavra perdida em sua própria Meguilá, cumprindo a mitzvá (preceito) de ouvir a Meguilá em sua totalidade.
Crianças com vários tipos de fantasias fazem todos os tipos de barulho - assobios, reco-recos e assim por diante, para abafar o nome de Haman sempre que o leitor o pronuncia. Escutam-se batidas de varas, chocalhos e barulhos explosivos. O tremendo tumulto acrescenta-se à alegria geral. O leitor espera até o término do barulho para continuar a Meguilá, que lê até o próximo "Haman".

Outro costume era escrever o nome de Haman no sapato e pisar forte até o nome do opressor ser apagado. O costume de fazer barulho quando o nome de Haman é mencionado é muito antigo e difundido pela Diáspora judaica. Alguns rabinos rígidos proibiram o costume, pois perturba a leitura da Meguilá, mas a atmosfera de Purim festiva triunfou e o costume se tornou profundamente arraigado ao folclore de Purim.

Fantasias

O costume de usar fantasias em Purim é extremamente antigo. Era particularmente observado na Itália. Já há quatrocentos anos atrás o Rabino Yehuda Mintz escreveu em sua "Responsa" que deveria ser permitido aos homens vestirem-se de mulheres em Purim, embora os rabinos Ashkenazim proibiam isto absolutamente. O Rabino Yoel Sirkis, da Polônia, opunha-se amargamente a esta permissão, que ia contra o versículo do livro Deuteronômio (22:5): "uma mulher não usará o artigo de vestuário de um homem, nem um homem vestirá o artigo de vestuário de mulher".

Ele também proibia aos homens máscaras que impedissem que fossem reconhecidos, proibição esta tanto para Purim quanto para casamentos.

Nos nossos tempos, a revelação externa mais distinta de Purim é o uso de vestidos caprichados, principalmente, pelas crianças, embora os adolescentes e adultos às vezes se vestem a rigor em público ou participem de bailes de máscaras.

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